NAMPULA JÁ PRODUZ “CASHEW NUT SHELL LIQUID” (CNSL)
A fábrica de processamento da castanha de caju do Grupo Condor, de Anchilo, no distrito de Nampula, investiu 400 mil dólares americanos na instalação de uma unidade de reaproveitamento da casca da castanha, para produzir óleo denominado CNSL, usado como matéria-prima na indústria de fabrico de tintas e não só.
De acordo com Silvino Martins, administrador das empresas do grupo Condor, foram exportadas, até ao momento, cerca de 200 toneladas do referido óleo para a República da Índia.
Conhecido internacionalmente pela sigla CNSL, Cashew Nut Shell Liquid, o óleo não apenas pode ser usado como matéria matéria-prima na produção de tintas, como também, adicionalmente, para o fabrico de tubos de grande resistência e que suportam temperaturas muito altas e baixas, simultaneamente, incluindo acessórios para veículos motorizados, nomeadamente sistemas de travões, a partir da resina do óleo de casca de castanha de caju.
O óleo produzido, com origem na casca da castanha de caju, serve de matéria-prima para produção de um total de 26 produtos de diferentes indústrias, excluindo alimentar.
O grupo Condor controla duas fábricas de processamento de castanha de caju localizadas em Anchilo e na sede distrital de Mogovolas, a cerca de 20 e 70 quilómetros, respectivamente, da cidade capital provincial de Nampula. A fábrica de produção de óleo à base da casca de castanha de caju usa a matéria-prima da unidade de processamento de amêndoa com capacidade instalada de sete mil toneladas por ano. No entanto, devido à demanda do CNSL no mercado internacional, uma segunda fábrica está a ser projectada para a vila de Nametil, sede distrital de Mogovolas, segundo a fonte
Por seu turno, a unidade de processamento de amêndoa de castanha de caju em Nametil está em processo de modernização com vista a incrementar a sua actual capacidade instalada que é de seis mil toneladas.
A produção de CNSL é um desafio que o governo central, através do Instituto de Fomento do Caju, vê agora concretizado com vista a explorar as mais-valias da cultura do caju através da promoção do agro-negócio, para além de contribuir para o reforço das receitas fiscais e criação de oportunidades de postos de trabalho.
A cotação do referido óleo no mercado internacional está associada ao comportamento do petróleo e o preço mais alto registado na sua história cifrou-se em 600 dólares por tonelada. Actualmente, porém, o produto está cotado em metade daquele valor.
A fonte revelou a intenção do grupo empresarial que administra de agregara vertente energética, tendo a biomassa como fonte de geração. “Com o desperdício da casca de castanha de caju usada na produção de CNSL, podemos produzir energia eléctrica para venda à Empresa Electricidade de Moçambique. No entanto, o arranque deste projecto está condicionado à mobilização de recursos financeiros para aquisição do respectivo equipamento e da clarificação do governo relativamente aos mecanismos de compensação da venda da energia eléctrica”- concluiu o nosso interlocutor.Wf